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O sentido dos conceitos, algo que vai além das suas definições, abrangendo conotações e julgamentos de valor, costuma ser negligenciado no ensino de Física. Procurando aprofundar a compreensão dessa dimensão da aprendizagem, investigamos, neste estudo, sentidos atribuídos a conceitos da física. Como contexto da investigação, analisamos os sentidos atribuídos ao modelo de Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (MRUV) e à Noção de Conservação de grandezas (NC) por sete estudantes de uma disciplina introdutória de licenciatura em Física. Utilizamos como referencial teórico a Teoria Social Cognitiva de Bandura, considerando a atribuição de sentido um ato intencional, característico da agência humana. Como referencial metodológico, nos inspiramos na pesquisa de Franco et al. (2023), recorrendo a mecanismos da autorregulação para categorizar as respostas de estudantes a dois questionários, e inferimos os sentidos atribuídos por meio de análises de similitude. Além disso, a partir de dados coletados com entrevistas, investigamos os impactos de outras dimensões da agência humana – intencionalidade, antecipação e autorreflexão – na construção de tais sentidos. Inferimos dois sentidos para cada tópico: no caso do modelo de MRUV, os sentidos diferiram no grau de utilidade desse construto, enquanto no caso da NC, os sentidos diferiram no grau de valor holístico. Constatamos ainda que os sentidos atribuídos pelos estudantes identificados nas entrevistas costumam ser mais abrangentes do que os inferidos nas análises de similitude das respostas aos questionários, contendo tanto aspectos salientes quanto latentes. Também identificamos que a intencionalidade e a antecipação, dois elementos da agência humana, impactam fortemente na elaboração desses sentidos, ao passo que a autorreflexão em diferentes situações influencia na maneira com que tais sentidos são enunciados pelos estudantes. |