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O artigo analisa a inserção do agronegócio brasileiro no terreno das guerras culturais, conceito originado nos Estados Unidos como novo padrão de conflito social e simbólico no pós-Guerra Fria e importado pela direita brasileira. Argumentamos que, no Brasil, esse padrão de batalhas morais e identitárias foi apropriado e articulado ao bolsonarismo, que fez do agro um aliado estratégico na construção de uma hegemonia cultural regressiva. Historicamente marcado pela concentração fundiária, pela violência no campo e pela devastação ambiental, o setor passou a mobilizar recursos midiáticos e artísticos –novelas, música sertaneja, cinema, arranha-céus e patrocínios culturais–para estetizar sua imagem como principal motor e valor do desenvolvimento nacional. Essa operação simbólica procura neutralizar críticas sociais, legitimar o domínio político-econômico do agronegócio e difundir valores mercantis, conservadores e neocoloniais como se fossem sinônimos de progresso e identidade nacional. Em contraposição, o texto destaca as contra-narrativas produzidas por movimentos sociais, como o MST, e pela proposta da Reforma Agrária Popular, que articulam agroecologia, cultura e novos modos de vida como alternativas emancipatórias. Conclui-se que a disputa em curso no Brasil contemporâneo não se limita à terra e ao desenvolvimento econômico, mas envolve também a cultura, a memória e o imaginário social –dimensões centrais das guerras culturais no país. Palavras-chave: Agronegócio; Guerras culturais; Hegemonia cultural; Indústria cultural; Reforma agrária popular; Agroecologia. ; The article analyzes the insertion of Brazilian agribusiness into the field of cultural wars, a concept that originated in the United States as a new pattern of social and symbolic conflict in the post-Cold War era and was imported by the Brazilian right wing. We argue that, in Brazil, this pattern of moral and identity battles was appropriated and articulated by Bolsonarism, which made agribusiness a strategic ally in the construction of a regressive ... |